{"id":3078,"date":"2025-04-22T16:58:39","date_gmt":"2025-04-22T09:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/togo.uxper.co\/?p=3078"},"modified":"2025-12-27T06:02:47","modified_gmt":"2025-12-27T06:02:47","slug":"exploring-italy-in-10-days-a-complete-travel-itinerary","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/2025\/04\/22\/exploring-italy-in-10-days-a-complete-travel-itinerary\/","title":{"rendered":"A Constru\u00e7\u00e3o da Mina Du Veloso: territ\u00f3rio, mem\u00f3ria e intelig\u00eancia africana materializada"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3078\" class=\"elementor elementor-3078\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5d814909 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"5d814909\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7804548d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7804548d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h2 data-start=\"268\" data-end=\"360\">\u00a0<\/h2><p data-start=\"362\" data-end=\"1028\">A constru\u00e7\u00e3o da Mina Du Veloso n\u00e3o pode ser compreendida apenas como a edifica\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o f\u00edsico. Ela representa, sobretudo, a materializa\u00e7\u00e3o de um processo profundo de ressignifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, de localiza\u00e7\u00e3o social de sujeitos coletivos e de reafirma\u00e7\u00e3o da identidade ancestral africana em Ouro Preto. Trata-se de um projeto que articula salvaguarda do patrim\u00f4nio material e imaterial afro-brasileiro, reconhecimento da ci\u00eancia e da intelig\u00eancia africana, educa\u00e7\u00e3o antirracista e gera\u00e7\u00e3o de renda por meio do turismo afrocentrado. Nesse sentido, a Mina Du Veloso constitui-se como um lugar de resist\u00eancia, resili\u00eancia e reescrita da hist\u00f3ria negra na cidade.<\/p><p data-start=\"1030\" data-end=\"1544\">Desde sua abertura, a Mina Du Veloso vem se destacando como um espa\u00e7o de transforma\u00e7\u00e3o cultural orientado por pr\u00e1ticas e pensamentos contra-coloniais. A releitura hist\u00f3rica dos povos africanos escravizados no Brasil, especialmente em Ouro Preto, permite compreender o territ\u00f3rio a partir da valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho realizado pelo povo negro, ontem e hoje. Essa perspectiva rompe com narrativas hegem\u00f4nicas que invisibilizam a centralidade da m\u00e3o de obra africana na constru\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e cultural do pa\u00eds.<\/p><p data-start=\"1546\" data-end=\"2006\">Essa valoriza\u00e7\u00e3o encontra respaldo nas Leis 10.639\/03 e 11.645\/08, que tornam obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira e ind\u00edgena nos curr\u00edculos escolares. Na Mina Du Veloso, esses marcos legais tornam-se pr\u00e1tica viva, fundamentando um pensamento cr\u00edtico que conecta a genialidade do trabalho africano na minera\u00e7\u00e3o aur\u00edfera com o trabalho contempor\u00e2neo de homens negros que reconstru\u00edram e adaptaram o espa\u00e7o para fins culturais e tur\u00edsticos.<\/p><p data-start=\"2008\" data-end=\"2486\">O trabalho, aqui, \u00e9 compreendido como um elo atemporal, circular e espiralado, que conecta passado e presente. A constru\u00e7\u00e3o da Mina Du Veloso estabelece uma rela\u00e7\u00e3o afroafetiva entre aqueles que hoje edificam o espa\u00e7o e seus ancestrais que atuaram na minera\u00e7\u00e3o do ouro. Essa conex\u00e3o dialoga com o conceito de Milton Santos sobre o \u201cconjunto de coisas\u201d, no qual as rela\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias e afetivas entre sujeitos e territ\u00f3rio se constroem a partir da produ\u00e7\u00e3o material no espa\u00e7o.<\/p><p data-start=\"2488\" data-end=\"2926\">No contexto da Mina Du Veloso, a galeria subterr\u00e2nea representa a intelig\u00eancia africana materializada no territ\u00f3rio durante o per\u00edodo da minera\u00e7\u00e3o aur\u00edfera, enquanto o receptivo tur\u00edstico expressa a continuidade desse legado por meio do trabalho contempor\u00e2neo. O v\u00ednculo afetivo dos trabalhadores com o espa\u00e7o nasce da viv\u00eancia cotidiana, da experi\u00eancia compartilhada e do reconhecimento de si mesmos como herdeiros de saberes ancestrais.<\/p><h3 data-start=\"2928\" data-end=\"2989\">Transforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o: desafios, saberes e mem\u00f3ria viva<\/h3><p data-start=\"2991\" data-end=\"3458\">A ideia de construir um espa\u00e7o dedicado \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento africano na minera\u00e7\u00e3o surgiu a partir de um projeto de extens\u00e3o da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), voltado ao mapeamento de galerias subterr\u00e2neas utilizadas nos s\u00e9culos XVIII e XIX. Ao observar o impacto econ\u00f4mico e social do turismo em algumas dessas galerias j\u00e1 abertas \u00e0 visita\u00e7\u00e3o, tornou-se evidente o potencial de gera\u00e7\u00e3o de renda e valoriza\u00e7\u00e3o cultural para as comunidades locais.<\/p><p data-start=\"3460\" data-end=\"3910\">No bairro S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o (Veloso), onde existem diversas galerias semelhantes, iniciou-se a busca por um espa\u00e7o vi\u00e1vel para um projeto tur\u00edstico que tivesse como eixo central o legado africano da minera\u00e7\u00e3o, a conscientiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, a repara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e a eleva\u00e7\u00e3o da autoestima da popula\u00e7\u00e3o negra. A aquisi\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel em 2010 marcou o in\u00edcio de um longo processo de reflex\u00e3o, enfrentamento de desafios estruturais e amadurecimento do projeto.<\/p><p data-start=\"3912\" data-end=\"4327\">O deslizamento de terra que obstruiu a entrada da mina foi um dos momentos mais cr\u00edticos, revelando tanto a fragilidade do espa\u00e7o quanto a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas para a preserva\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio. A reconstru\u00e7\u00e3o, realizada com o apoio de trabalhadores locais, engenheiros e mestres de of\u00edcio, marcou o in\u00edcio da apropria\u00e7\u00e3o coletiva do espa\u00e7o e da valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento t\u00e9cnico tradicional.<\/p><p data-start=\"4329\" data-end=\"4750\">Nesse processo, cada trabalhador trouxe consigo saberes espec\u00edficos, herdados de gera\u00e7\u00f5es anteriores. A valoriza\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia africana manifestou-se na escolha de t\u00e9cnicas construtivas tradicionais, especialmente no uso da madeira e do barro, resgatando tecnologias da constru\u00e7\u00e3o civil setecentista e oitocentista. O receptivo da Mina Du Veloso tornou-se, assim, um testemunho f\u00edsico da continuidade desses saberes.<\/p><p data-start=\"4752\" data-end=\"5168\">A constru\u00e7\u00e3o da casa de madeira foi um grande desafio t\u00e9cnico e simb\u00f3lico. Inspirada na grandiosidade da galeria subterr\u00e2nea escavada pelos africanos escravizados, a edifica\u00e7\u00e3o buscou dialogar com essa obra ancestral em termos de engenhosidade e resist\u00eancia. Esse encontro entre passado e presente fortaleceu o reconhecimento dos construtores como herdeiros de uma tradi\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia, t\u00e9cnica e criatividade negras.<\/p><p data-start=\"5170\" data-end=\"5498\">Como afirma Frantz Fanon, romper com o complexo de inferioridade imposto pela colonialidade passa pelo reconhecimento e orgulho das origens. Na Mina Du Veloso, esse reconhecimento emerge da experi\u00eancia direta com a obra ancestral, despertando emo\u00e7\u00f5es, celebra\u00e7\u00f5es coletivas e um profundo respeito pelo trabalho dos antepassados.<\/p><h3 data-start=\"5500\" data-end=\"5544\">Comunidade, afeto e turismo afrocentrado<\/h3><p data-start=\"5546\" data-end=\"5822\">O canteiro de obras da Mina Du Veloso foi tamb\u00e9m um espa\u00e7o de conviv\u00eancia, socializa\u00e7\u00e3o e tomada de decis\u00f5es coletivas. O fog\u00e3o a lenha, descrito pelos trabalhadores como protagonista da obra, simboliza esse lugar de encontro, partilha e fortalecimento dos la\u00e7os comunit\u00e1rios.<\/p><p data-start=\"5824\" data-end=\"6104\">Diferente de modelos convencionais da constru\u00e7\u00e3o civil, a obra esteve integrada \u00e0 din\u00e2mica do bairro S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, envolvendo moradores, vizinhos e trabalhadores locais. Antes mesmo de sua inaugura\u00e7\u00e3o, o espa\u00e7o j\u00e1 era apropriado pela comunidade como lugar de conviv\u00eancia e lazer.<\/p><p data-start=\"6106\" data-end=\"6472\">Desde sua abertura ao p\u00fablico, em 2014, a Mina Du Veloso consolidou-se como espa\u00e7o de mem\u00f3ria, aprendizado e gera\u00e7\u00e3o de renda para moradores do bairro e regi\u00f5es adjacentes. Hoje, \u00e9 um dos atrativos tur\u00edsticos mais visitados de Ouro Preto, destacando-se por estar fora do centro hist\u00f3rico colonial e por apresentar uma narrativa afrocentrada da hist\u00f3ria da minera\u00e7\u00e3o.<\/p><p data-start=\"6474\" data-end=\"6838\">O reconhecimento institucional, materializado em pr\u00eamios como o Rodrigo Melo Franco de Andrade (IPHAN) e a Mostra Intermunicipal de Preserva\u00e7\u00e3o Patrimonial, refor\u00e7a a import\u00e2ncia do trabalho desenvolvido no local. Mais do que um atrativo tur\u00edstico, a Mina Du Veloso \u00e9 um espa\u00e7o de vozes m\u00faltiplas, onde passado e presente dialogam para construir futuros poss\u00edveis.<\/p><p data-start=\"6840\" data-end=\"7139\">Como afirma Pyburn (2007), lugares de for\u00e7a e beleza s\u00e3o preservados quando permitem que muitas vozes falem para o futuro. A Mina Du Veloso \u00e9 esse palco vivo, onde a intelig\u00eancia africana ecoa, resiste e ensina, reafirmando a centralidade do patrim\u00f4nio mineiro afro-brasileiro na hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A constru\u00e7\u00e3o da Mina Du Veloso n\u00e3o pode ser compreendida apenas como a edifica\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o f\u00edsico. Ela representa, sobretudo, a materializa\u00e7\u00e3o de um processo profundo de ressignifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, de localiza\u00e7\u00e3o social de sujeitos coletivos e de reafirma\u00e7\u00e3o da identidade ancestral africana em Ouro Preto. Trata-se de um projeto que articula salvaguarda do patrim\u00f4nio material e imaterial afro-brasileiro, reconhecimento da ci\u00eancia e da intelig\u00eancia africana, educa\u00e7\u00e3o antirracista e gera\u00e7\u00e3o de renda por meio do turismo afrocentrado. Nesse sentido, a Mina Du Veloso constitui-se como um lugar de resist\u00eancia, resili\u00eancia e reescrita da hist\u00f3ria negra na cidade.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8101,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3078","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Fachadas-Frontais-scaled.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3078"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3078\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/minaduveloso.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}